26 outubro 2006

cacaso


Happy end

O meu amor e eu

nascemos um para o outro

agora só falta quem nos apresente


Estilos trocados

Meu futuro amor passeia — literalmente —
nos
píncaros daquela nuvem.

Mas na hora de levar o tombo adivinha quem cai.


Quem de dentro de si não sai
Vai morrer sem amar ninguém


A parte perguntou para a parte qual delas

é menos parte da parte que se descarte.

Pois pasmem: a parte respondeu para a parte
que a parte que é mais — ou menos — parte
é aquela que se reparte.

Passeio no bosque

o canivete na mão não deixa

marcas no tronco da goiabeira

cicatrizes não se transferem



Cacaso (Antônio Carlos Ferreira de Brito)



Os poemas acima foram extraídos do livro "Beijo na boca", Viveiros de Castro Editora (7Letras) — Rio de Janeiro, 2000, páginas diversas.

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