18 outubro 2006

Mente e coração Zen... o espírito Zen





"Espírito e corpo não são partes distintas , e a busca do equilíbrio desta coexistência se faz necessária...."


Viver com espírito e corpo sãos... Algo que todo ser humano deseja para desfrutar ao máximo sua vida. Considerar que nosso espírito seja algo independente de nosso corpo está além da verdade. Corpo e espírito são inseparáveis. Um não existe sem o outro, e esta interdependência é que torna possível nossa plena existência que vive o agora. Corpo e espírito... espírito e corpo... independentemente da ordem, fundem-se num todo.
Quando se diz que o budismo é uma religião na qual se busca a elevação e o aprendizado do espírito, a conotação “espírito” torna-se passível de ser associada simplesmente a um estado psicológico no qual tudo se resolve no âmbito emocional. Entretanto, a verdade é que espírito e corpo não são partes distintas, e a busca do equilíbrio desta coexistência se faz necessária sempre. Se de alguma forma nosso espírito se transforma, conseqüentemente nosso corpo também estará passando por alguma transformação. Se de alguma forma tornamo-nos negligentes em nossa prática, o acúmulo resultará em desleixo tanto espiritual como do próprio corpo físico. Espírito e corpo íntegros, isto sim, é a verdadeira essência do ensinamento budista.
O espírito das pessoas é, ao mesmo tempo, a fusão e o acúmulo de todos os atos e experiências vivenciadas até o “eu” presente. É a conseqüência e o resultado de todo o passado de cada um de nós. Logicamente, passado é passado, e hoje vivemos o presente em que não mais existe o passado. Embora esses dois tempos sejam distintos, é certo que o “eu” do presente não existiria sem o “eu” do passado. Atos passados refletem-se no dia-a-dia que vivenciamos hoje, e, por mais que tentemos, não nos é possível ocultá-los. Sentimentos de ódio, pensamentos e palavras ruins podem se perder e aparentemente se apagar no momento junto ao passado, mas devemos estar cientes de que tudo isso também faz parte do “eu” presente. Quem já não passou pela situação “Que gafe... mas deixa pra lá, vou simplesmente apagar e esquecer...” ? Todos temos algo que tentamos apagar ou guardar a sete chaves, mas, por mais que tentemos e até consigamos ocultar nossos erros passados do conhecimento alheio, não conseguiremos nunca ocultá-los de nós mesmos. Dentre os ensinamentos de Buda Shakyamuni, aprendemos que devemos evitar falar mal dos outros assim como não devemos mentir, senão, dessa forma, estaremos ferindo não só os sentimentos daqueles que estão a nossa volta, mas também a nós mesmos. Deixar crescer o “eu” que fala mal de outros, que mente e, além de tudo, tenta ludibriar para ocultar os próprios erros é algo terrivelmente arriscado. Aquele passado pode simplesmente vir à tona a qualquer momento, mostrando sua verdadeira face impulsionada por uma simples circunstância na qual nos deparamos no presente.
Quando falamos em presente, consideramos também que este inclui o futuro. É facilmente compreensível que o presente é resultado do passado. Entretanto, muitas vezes nos esquecemos que o futuro será o resultado do que praticamos no presente. O futuro existe no presente porque acreditamos num futuro que, inconscientemente, tentamos construir no presente que vivenciamos, no presente que nos é possível simplesmente viver.
Os ideais a serem alcançados e o desejo veemente de cada um de realizá-los são capazes de transformar o “eu” presente, ou seja, o amanhã está presente no hoje. Os votos de Buda por meio de seus ensinamentos trazem consigo um significado importante no sentido de enobrecermos nosso espírito para sermos dignos de um futuro igualmente nobre.
Passado... Futuro... O nosso espírito presente é a materialização de nosso passado e nosso futuro. Cada segundo do nosso presente momento é ao mesmo tempo passado e futuro...


Zen no kokoro (Espírito Zen) - Os homens almejam viver com espírito e corpo sãos.


Créditos: O texto original é de autoria do superintendente-geral da Escola Sotoshu na América do Sul e abade superior do Templo Busshinji, bispo Koichi Miyoshi, e tradução de Cristina Izumi Sagara.

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